A Rã

A rã chegou como presente, com o olhar no futuro, à espera de jardim que a receba.

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Azulejo Bordallo Pinheiro

Passado, Presente, Futuro

Eu fui. Mas o que fui já me não lembra:
Mil camadas de pó disfarçam, véus,
Estes quarenta rostos desiguais.
Tão marcados de tempo e macaréus.

Eu sou. Mas o que sou tão pouco é:
Rã fugida do charco, que saltou,
E no salto que deu, quanto podia,
O ar dum outro mundo a rebentou.

Falta ver, se é que falta, o que serei:
Um rosto recomposto antes do fim,
Um canto de batráquio, mesmo rouco,
Uma vida que corra assim-assim.

José Saramago, in “Os Poemas Possíveis”

10 thoughts on “A Rã

  1. São todas as fases importantes. O passado que te moldou, o presente que te possibilita mudanças e o futuro que é uma grande caixa de surpresas! A vida? Vivamo-la…!!

    Beijinhos matinais. ..😚Os que sabem a café au lait …
    e quanto a rã. ..enquanto espera o jardim que fique na parede para apreciação de tão bela que é. ..

    • Obrigada, Sílvia! Sem dúvida que todos estes momentos merecem ser vividos.🙂 Esta rã vai-se juntar a outras para fazer um painel para a parede, mas quem sabe, um dia, não morarão num jardim? 😉 Beijinhos matinais

  2. Que lindos são as cerâmicas de Bordallo Pinheiro. E este em particular!
    Cá em casa apaixonei-me pelas andorinhas. Elas voam na parede da sala de jantar. Assim sempre que olho para elas fazem-me lembrar a primavera!

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