Outono

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É outono, desprende-te de mim.

Solta-me os cabelos, potros indomáveis
Sem nenhuma melancolia,
Sem encontros marcados,
Sem cartas a responder.

Deixa-me o braço direito
O mais ardente dos meus braços,
O mais azul
O mais feito para voar.

Devolve-me o rosto de um verão
Sem a febre de tantos lábios,
Sem nenhum rumor de lágrimas
Nas pálperas acessas.

Deixa-me só, vegetal e só,
Correndo como rio de folhas
Para a noite onde a mais bela aventura
Se escreve exactamente sem nenhuma letra.

” Vegetal e Só”, Eugénio de Andrade, As Palavras Interditas,  in Poemas (1951).

 

 

18 thoughts on “Outono

  1. Lindo poema. Linda fotografia…
    O poema eu levo comigo, viu? Porque eu amo Eugênio de Andrade.
    Que seu outono seja pleno, por aqui é primavera, mas as estações estão tão confusas que tivemos ontem o primeiro dia de outono em São Paulo. rs
    Ventos, sol ameno, cores quentes e um punhado de silogismos.

    bacio

  2. Adoro o Outono e cada vez mais… (coisa da idade?…)
    Amei o poema, obrigada. Pôs o meu coração a bater mais devagar, na cadência próprio do outono.
    Votos de uma bela estação.

  3. Adoro o outono. Ainda que haja a melancolia dos dias. Mas gosto muito, talvez por fazer anos nesta altura…não sei. Um abraço.

  4. Não conhecia este poema de Eugénio. Lindo como todos os seus poemas. Eu sou fã do Outono, acho que tem a luz mais bonita para se fotografar, limpa e melancólica com tons de dourado.😉

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